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Um abraço,
Ysanne

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Um conto sobre a Terra Fria

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Second Breakfast

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09-06-2014

Eu me lembro, lembro de cada pedaço daquela terra. Ao norte, as terras mais frias que esse mundo continha, com vales e bosques cobertos de neve e grandes pistas de gelo escorregadio que um dia foram chamados de rios. Também lembro de meu lar, o lugar era simples, mas era o lugar mais quente em todo aquele gelo sem fim. Lembro-me também de minha história e como eu sai de lá.
Eu sempre fui fissurado no combate, mesmo pequeno eu treinava, e um dia eu prometi que seria melhor que meu pai. Ele era um dos melhores guerreiros do exército e com certeza o melhor de todos eles, até melhor que o chefe, meu pai poderia ter se tornado o nosso chefe, mas ele era diferente, não gostava muito de se envolver.
Ele era forte, porém recusava seu sangue de guerreiro e só ia para batalhas quando era chamado , ele não gostava de violência nem guerras, aprendeu a lutar no calor da batalha quando criança, e de maneira alguma ele deixaria que eu e meus irmãos tivessem a mesma experiência.
Mesmo assim eu o admirava, pela fresta da porta eu o observava, olhava e guardava seus movimentos para depois quando ele estivesse fora eu repetisse, quantos vezes fossem necessárias, até aprender perfeitamente.
Nossa raça era forte e destemida, não aceitávamos ser afugentados ou amedrontados, sempre íamos para batalha, talvez seja por isso que existia muitas guerras entre as tribos daqui.
Um dia meu pai recebeu o chamado, o exército seria reunido no meio da tribo e de lá marcharia para perto do Vale Pedra de Gelo, onde um de nossas defesas fora destruída por um grupo de Yetis.
Yetis, criaturas enormes e fortes, bestas controladas por sua fúria em consumir, ferozes, mas não o bastante para derrotar nosso exército. Eu olhava com curiosidade para onde os guerreiros se reunião, eu estava apreensivo e de maneira alguma eu iria perder meu pai em ação. Eu avistei uma carroça na qual ficava os suprimentos e sem hesitar eu pulo dentro e me escondo em meio a eles. Fico em silêncio, ninguém poderia me encontrar ali, finalmente eu poderia ir em um combate de verdade e ver o quanto nosso exército era destrutivo.
Além do som que a carroça velha fazia, eu escutava os passos e vozes dos guerreiros, eles sempre riam e contavam histórias engraçadas enquanto iam em rumo a batalha, era impressionante o quão certeza eles tinham da vitória. Dentre tantas as vozes eu não encontrava a de meu pai, talvez porque ele não tinha prazer algum em ir para batalha, talvez porque ele só queria ir embora dali. Eu sempre achei que meu pai fosse bom por gostar da batalha, mas hoje eu sei que ele era bom não por gostar mas sim por odiar, ele só queria que aquilo terminasse logo para ele poder ir para casa, ir para sua família. Eu já estava entediado, queria que chegasse logo e estava quase saindo do meu refúgio quando eu percebo que a carroça para. Alguns segundos e todos os sons que eu ouvia desapareceram, por alguns segundos eu só ouvia o som do vento gelado batendo nas frestas dos pequenos morros. Aquele silêncio se estendeu por alguns segundos até que foi quebrado por um grande rugido, um rugido largo e devastador que fez tremer toda a carroça. logo em seguida eu escuto o exército correndo, eu precisava sair dali e ver oque estava acontecendo, será que já era hora de batalhar? Eu abro a carroça e saio pelo lado de trás, não vejo ninguém, até que eu olho para frente e vejo todo mundo partindo correndo, gritando e grunhindo, em direção ao maior Yeti que eu já tinha visto em toda minha vida.
Meu pai sempre me contou histórias sobre ele, o Rei dos Yetis, uma criatura colossal e extremamente forte, na qual nunca se tinha certeza de que existia. Eu admirava o quanto corajoso era nosso exército, em comparação com a criatura eramos como ratos, mas isso não nos impedia de ansiar pela vitória. Meu coração se encheu de coragem e mesmo sabendo pouco ainda, eu parto para a batalha. Na linha de frente vários de nós, inclusive meu pai, abria caminho com toda a força através dos Yetis, golpes atrás de golpes e os Yetis iam caindo, e naquele momento todos nunca almejaram algo como matar aquele Yeti colossal.
Mas ele era forte, não se deu por intimidado apenas pela fúria de nossos soldados, ele então junta as duas mãos e aponta elas em rumo ao nosso exército, era um feitiço de gelo, algo como uma mini nevasca que atingia nossos combatentes. Eles riam, riam e olhavam um para o outro como se estivessem bebendo em um bar, eu não entendia o porque das risadas se eles estavam em frente ao um inimigo colossal que parecia atacá-los com feitiços de gelo?
Só fui entender quando eles finalmente alcançaram o Rei Yeti, golpes e mais golpes e o Yeti gigante ia enfraquecendo, seu tamanho não era de nada comparado a força daqueles soldados, eu admirava, a esse ponto não tinha nenhum Yeti em pé para confrontar e não iria demorar para o Rei Yeti e toda sua grandeza cair aos nossos pés. Fiquei tão admirado pela força de nosso exército que quase me esqueci de entrar na carroça novamente, eu entro rapidamente e então partimos de volta para casa.
Eu escutava as risadas e comentários sobre o quanto o Yeti era grande, também escutava alguém arrastando a coroa de gelo do Yeti. Eu tinha visto e presenciado uma batalha, eu tinha adorado e mal podia esperar pela minha vez. Alguns anos se passaram e eu finalmente entrei no exército, eu em pouco tempo acabei se tornando um grande guerreiro, batalha por batalha e eu mostrava meu valor. Nas reuniões campais em volta da fogueira nós riamos e dizíamos ser a raça mais poderosa de toda Runeterra. Todos participavam, exceto por meu pai, que ficava longe, no escuro, sozinho. Ele dizia que quando olhava para a fogueira, o fogo o revelava um destino cruel para o nosso exército e insistia que eu parasse de lutar e que ajudasse meus irmãos nas caçadas para obter comida. Eu nunca o ouvia, eu tinha certeza que tinha nascido para lutar.
A sequencia de vitórias durou algum tempo, até que nos deparamos com ataques e invasões de outras tribos, nosso exército era pleno, mas estávamos perdendo todas as batalhas por territórios, nosso chefe já não comandava mais tão bem quanto antes, e suas ordens só resultavam em perdas para nosso exército. Foram meia dúzia de batalhas na quais tivemos que recuar para não perder a vida para os outros de nossa espécie. Estávamos todos revoltados com as ordens do chefe tolo que nos comandava. Todo o exército resolveu se juntar no meio da tribo para ter algum tipo de solução para as baixas que estávamos tendo, até que no meio de tantos, uma mão se ergue... Sim eu me lembro dele, egoísta, oportunista e invejoso porém era forte e tinha um cargo de confiança com o chefe, cargo este que meu pai sempre recusou, agora ocupado por um que nos dava uma declaração:
- Para termos chance contra as outras tribos que nos atacam, devemos empunhar uma arma de grande poder assim como fez nossos chefes antepassados. Eu me ofereço para encontrar esta arma, e se eu voltar, eu vou ser o líder de toda tribo e nos liderar para a vitória sobre todos os outros do nosso continente. Por isso, deixe-me ir atrás desta arma, caro chefe.
Todos ficaram impressionado com a história e concordaram que nós deveríamos ter tal artefato, porém todos dúvidavam de que ele voltaria vivo desta jornada e então o chefe aceitou que ele partisse.
Não se passaram alguns meses e ao longe todos viram quando ele voltou, empunhando uma porrete de gelo gigante, um gelo diferente e brilhante no qual nunca ninguém tinha visto. Mas ele não estava sozinho, todas as tribos que antes estavam em guerra cederam e ajoelharam-se para o guerreiro que tinha o artefato.
O guerreiro subiu no alto do morro, junto com cada chefe de cada tribo e disse em voz alta:
- De agora em diante não existirá nenhum chefe mais, apenas existirá um Rei, e esse será eu que possuo o arma dos antepassados. Nosso rei estava declarado e com esta oportunidade, meu pai decidiu abandonar o exército. Ele dizia que com o novo Rei e todas as tribos unidas eles não precisariam mais dele. Mas eu continuei, movido pela idéia de que agora nada nos impediria de dominar todo o território de gelo e talvez todo o continente, todos da nossa raça unidos em um exército só, comandado por um Rei com um artefato ancestral, isso enchia meu coração de coragem e vontade de lutar.
Não demorou para o novo Rei desse uma ordem, ele ordenou que todas as tribos se juntassem e nos preparassem para um grande ataque, nada foi declarado, e isso não importava, afinal oque nos movia era a vontade de lutar.
Marchamos longos dias através da terra gelada, em direção ao meio dela, nas grandes montanhas para ser exato e era lá que encontraríamos nosso inimigo.
Nosso novo Rei ia na frente, majestoso, arrastando sua arma de gelo que nunca sequer lascava. Ninguém sabia a aparência ou a força de nosso inimigo, a gente apenas marchava contando com a vitória igual sempre fizemos afinal não tinha nada ou ninguém que temíamos, certo?
Estávamos quase chegando, quando ao longe viamos uma grande construção, algo como ruínas, cravadas em meio ao gelo. Totalmente cercados pelas montanhas, olhávamos para a construção quando o Rei disse:
- Fiquem atentos, aqui é o lar de nossos inimigos, eles podem atacar a qualquer momento.
Todos ficaram em silêncio e prontos para o combate, só se escutava o vento gelado que mal podia passar por nós devido a grande quantidade de guerreiros nossos que havia lá. Foi quando derrepente que saindo das ruínas vimos cinco criaturas gigantes que nos olharam com curiosidade, até que um deles me olhou diretamente e pela primeira vez em minha vida eu temia pelo combate. Esses sentimentos não eram só meus, todos que olhavam para aquelas cinco criaturas ficavam apavoradas e inquietas. Pela primeira vez em toda história, nossa raça temia uma batalha. Criaturas negras com partes em vermelho, banhadas em sangue, portadas de espadas gigantes e afiadas, asas sombrias e olhos vermelhos que nos olhavam como se a própria morte estivesse nos chamando. Porém isto não foi motivo para recuarmos, o Rei logo deu a ordem para atacarmos e a linha de frente começou a correr para a batalha. Porém quando a linha de frente ia chegando, as criaturas abriram suas asas e voaram aos céus, logo caindo no meio de todo o exército e começando o massacre. Aquilo não era deste mundo, a rapidez com que as espadas das criaturas cortavam e dilaceram os nossos guerreiros era tão rápida que mal se podia notar a lâmina.
- Não é possível, são criaturas vindas do inferno!
Eu não fiquei imóvel, não podia me mexer, eu estava paralisado de medo. A cada guerreiro que caía, a criatura se aproveitava de seu sangue através das espadas que pareciam extensões dos seus próprios corpos, e com o sangue dos guerreiros caídos eles ganhavam força para acabar com mais de nós.
Horda por horda e nosso exército era dizimado por apenas 5 deles. Eu via o massacre da minha própria raça e não conseguia me mexer para sequer tentar algo, eu pensei que a gente só poderia contar com a força de nosso Rei que tinha a arma dos ancestraís, mas ele nem se movia, apenas sorria observando o massacre.
As criaturas iam abrindo caminho em meio ao nosso exército até aproximar de mim, quando de repente ele me olha e vem em minha direção, eu não poderia fazer nada, com certeza era meu fim, mas foi quando a criatura se aproximava para me golpear que aparece meu pai e o acerta, afastando a criatura de mim.
- Você está bem? Eu balanço levemente a cabeça para cima e para baixo, olhando abismado as outras quatro criaturas virem em direção de nós. Meu pai vai pra cima da primeira criatura acertada e lhe toma a espada assim cravando na barriga dele, as outras quatro criaturas vão para cima dele, meu pai luta ferozmente contra os quatro, até que derrota todos eles com sua própria espada. Ele se vira pra mim e diz para irmos embora dali, e que aquilo era a visão dele se tornando real. Nos viramos e estamos andando quando sem perceber uma das criaturas ressuscita e sem que percebamos ela crava a espada nas costas do meu pai, que cai no chão já morto. Eu não aguentei ver aquilo, olhando aquela cena, eu não já não estava mais com medo, meu coração só tinha ódio e eu estava queimando por dentro, então eu dou um salto atacante contra a criatura e percebo que ela está mais fraca do que antes, eu aproveito disto e pego a espada de uma das criaturas mortas e quando vou dar o golpe fatal a criatura viva abre as asas e parte em vôo, fugindo para o além.
No chão eu olho pro corpo de meu pai e vejo que eu não tive tempo nem mesmo de me desculpar e nem mesmo dizer que eu deveria ter seguido seu conselho. Eu olho para as ruínas e vejo o Rei indo embora arrastando sua arma.
- Um Rei traidor que levou seu povo todo para a destruição e nem sequer os ajudou. Eu o segui.
Eu o segui através das montanhas gigantes sem que ele me notasse, e nunca notaria, afinal ele acha que nenhum de nós sobrevivemos. E então quando ele para, eu também paro e fico olhando de longe. Eu poderia atacá-lo agora e descontar todo o ódio que sinto pelo meu pai, mas ele parado ali atiça minha curiosidade.
O Rei está parado em frente á um espelho de gelo, mas não era um gelo comum, era um gelo mais escuro, igual o da sua arma dos antepassados, mas o impressionante é quando aparece refletido naquele espelho a imagem de uma mulher humana, muito estranha que parece conversar com ele. Eu me aproximo para ouvir o diálogo, talvez o motivo do Rei ter levado seu povo a destruição seja esta mulher.
- Está feito, minha Rainha Gélida.
- Alguem sobreviveu?
- Só a mim, aquelas criaturas eram muitos fortes, todos foram exterminados, inclusive eles.
- Perfeito, o sacrifício do seu exército não será em vão, quando as entidades voltarem você será recompensado jovem Rei.
Naquele momento eu explodia de ódio, meu coração era dominado pela vontade de destruir esta mulher junto com o Rei traidor, eu iria vingar meu pai ali mesmo. Foi quando eu saltei em direção ao Rei, que já sabia que eu estava ali, ele se defendeu com seu artefato, a essa hora o espelho já não tinha mais nada. Travamos uma luta feroz, porém aquele artefato extremamente forte me derrotou. Fiquei inconsciente e quando acordei me vi de frente com aquela mulher, ela era pálida, rodeada de gelo e tinha uma áurea gelada em volta. Eu não conseguia me mexer, meu corpo estava gelado e eu estava preso em gelo.
- Quem é você? Ela não disse nada, e antes que eu pudesse fazer algo ela me acertou com uma lança de gelo no meio da minha barriga. Era meu fim, eu iria morrer e sem nem saber quem me assassinaria, eu não poderia vingar meu pai nem minha raça que foi traída, não poderia ver meu lar nem minha família?

Por um breve momento tudo ficou escuro, parecia que eu estava mergulhado em um mar de águas negras, a dor da lança cravada já não existia, nada do meu corpo existia, foi quando eu abri meus olhos e me deparei jogado na grama. Era um gramado verde, na época eu não sabia oque era grama, pois onde eu vivi não tinha isso, foi quando eu olhei para minhas mãos e vi que elas estavam diferente, tudo estava diferente, minha roupa era estranha e diferente, eu estava com minha cabeça coberta. Quando passei a mão em meu rosto, vi que ele já não existia mais, no lugar dele uma máscara, na qual eu não podia tirar. Eu não entendia o porque de eu estar ali, só lembrava do que tinha acontecido e isso me enfurecia, eu era completamente diferente, mas apenas meu corpo, pois minha mente continuava sendo a mesma, eu tinha as mesmas lembranças. Eu me lembrava do Rei traidor, da Rainha assassina e também me lembrava do que eu teria que fazer...

Um dia eu farei todos pagarem pelo oque fizeram comigo, com a raça dos Trolls e com meu pai, eu terei o sangue do Rei traidor e da Rainha Gélida em minhas mãos,

Eu prometo.
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Second Breakfast

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09-06-2014

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