Bem-vindos ao arquivo do Fórum!

Nosso fórum pode ter mudado, mas isto não significa que vamos esquecer de tudo o que veio antes. Neste arquivo, vocês encontram a história da comunidade do League desde a chegada do servidor ao Brasil. Tem de tudo um pouco: discussões, piadas, desenhos, tentativas de identificar as camadas do fórum e muito mais.

Então, navegue pelas lembranças e, depois, participe das discussões que estão rolando neste momento no novo Fórum do League of Legends e divirta-se com os outros membros da nossa Comunidade. Nos vemos lá!

Um abraço,
Ysanne

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Nuncamais

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Felstardo

Senior Member

11-23-2014

Tudo começa onde o fim engole seu próprio veneno.

Nasci em um mundo diferente, em tempos sombrios. Meu povo estava em conflito, as raças de nossa terra disputavam pelo direito de viver. Era um período de crise, pode-se dizer que eu tive a pior das más sortes.
Como consequência, fui separado de minha família muito cedo. Minha mãe foi mandada pelo serviço militar como enfermeira - afinal, era ela, de fato, médica do meu povo - e meu pai, bem, morreu durante um conflito pouco depois de eu nascer. Desde cedo aprendi a duvidar de todos, de forma a preservar a mim mesmo, já que em tempos como aqueles, golpes baixos aconteciam frequentemente e embaixo das saias da justiça.

Meu avô cuidou de mim. Ele dizia que pessoas como eu e ele eram privilegiadas, e com frequência falava sobre sua juventude e aventuras que ele supostamente teve. Ele queria me fazer acreditar, a todo custo, que éramos diferentes do resto, que éramos duradouros. Ele gostava de dizer coisas sem sentido algum que pra mim não passavam de devaneios. Lembro que, uma delas, ele repetia com muita frequência:

"O relógio não bate pra décima terceira, Zô."
De inicio, na minha inocente ignorância, achei que fossem só palavras de um velho homem cuja vida havia cobrado seu preço com juros. Achei que fossem neuroses, alguns surtos, sua imaginação fértil enganando-o.

Um dia, acordei com os alertas de ataque. Estávamos sonolentos, mas atentos às instruções. Aparentemente, um ataque da facção inimiga estava já encaminhado à nossa cidade, e tínhamos pouco tempo para procurar abrigo. Saí, desesperado, em busca do meu avô, que não se encontrava em casa. Achei que tivesse me deixado pra trás; esquecido que eu existia, e isso me deixou ainda mais magoado. Em meio a uma cidade em caos, pessoas procurando abrigo para todos os lados, seria quase impossível achar alguém como ele. Com pesar, voltei para casa, para pegar alguns suprimentos e me esconder no forte mais próximo.

Enquanto juntava alguns objetos de valor e utilitários, encontrei um relógio de bolso estranho: com cinco ponteiros e mais de 13 números visíveis, a máquina era bem peculiar. Pensei ser coisa do meu avô e, como não sabia se voltaria a vê-lo de novo no meio de toda a confusão, levei o relógio comigo.

Lembro de, no meio do caminho para o forte, ser surpreendido por um grupo de foras-da-lei, aproveitadores. Eles queriam levar tudo que eu carregava comigo, inclusive o relógio, e eu me recusei a dar-lhes. Como resultado, me surraram covardemente, nas ruas já vazias, quase fantasmas, enquanto meus urros e pedidos de ajuda eram abafados pela dor e agressão sofrida. Acordei pouco depois, com quase nenhum pertence a não ser o relógio que eu havia escondido tão bem, e as esperanças já esgotadas. Os fortes da cidade provavelmente já estariam fechados àquele momento, ou talvez o ataque já tivesse acontecido e eu não soubesse. Pra todos os efeitos, tudo que me restava era esperar o desfeche de todas essas desventuras, e assim fiz. Com dores e cansaço, misturado com um pouco de coragem para encarar qualquer que fosse meu destino, ali fiquei, abandonado em uma rua deserta, sangrando, exausto. Peguei o único objeto que ainda tinha, o tal relógio, e o contemplei mais uma vez, lembrando-me de meu avô. Todas as conversas, todas as histórias, mundos fantásticos e povos incríveis, mundos de brilho, mundos de luz, tudo aquilo veio à minha cabeça quando olhei pro relógio de bolso.

Especialmente a frase que meu avô gostava tanto de dizer:
"O relógio não bate pra décima terceira, Zoul".

Quase que como um gesto infantil de fantasia e em lágrimas, eu movi os dois ponteiros diferentes do relógio para o 13 e o 12, hora e minuto, respectivamente. E, enquanto uma parte de mim sabia que nada iria acontecer, a outra tinha esperança de que algo iria me salvar, de que meu avô apareceria e me tiraria dali.

E o nada aconteceu. Absolutamente nada.

Um enorme nada tomou conta do tempo e dos ventos. Eu senti uma leveza estranha, como se eu pudesse voar. Lentamente, me levantei, as dores ainda latejando pelo meu corpo surrado, e lutei para me manter em pé. Olhei ao meu redor, as folhas haviam parado, a neve havia congelado no ar, tudo estava parado. Nada acontecia. O relógio, ainda em minha mão, pulsava, como se tivesse coração próprio. Os ponteiros estavam se movendo, aqueles que outrora eram estáticos, e eles giravam em torno do eixo de forma irregular. Enquanto as horas avançavam, os minutos recuavam, enquanto os três ponteiros naturais dançavam em torno do mesmo como cavalos de brinquedo em um carrocel. Embora eu ainda não soubesse, a "décima terceira hora" é uma fase alternativa da realidade, uma estase temporal, evanescente, porém real. Manquei lentamente para longe, procurando achar alguém que provasse que eu não estava apenas louco, dormindo, ou até mesmo morto.

E tudo que encontrei foi um senhor, de aparência estranha, que não parecia estar congelado como todo o resto ao meu redor.
Zoul, eu estive a sua espera durante todo o tempo do universo.
Bem vindo ao Nuncamais, meu jovem.
Eu me senti estonteado. Teria eu realmente enlouquecido? Seria tudo aquilo meras imagens geradas por uma mente perturbada e desolada, fruto de alguma pancada na cabeça? Prossegui com meu mancar irregular até o peculiar homem, que me recebeu com um abraço familiar e uma mão estendida na minha direção, como quem estivesse querendo me guiar pelo "Nuncamais".

Como magia, ao segurar sua mão, tudo ao meu redor sumiu. Tudo o que eu conhecia como verdade havia se tornado escuridão pontilhada; um verdadeiro céu noturno, estrelado. Eu estava de pé em algo, não sei exatamente o que, já que tudo ao meu redor era o mais puro infinito. O homem então prosseguiu a me guiar pelo feérico momento, falando sobre como ele já havia me visto várias vezes e como sempre eu costumava perguntar coisas como "como sabe meu nome" ou "onde estou", que pra ele pareciam ser bobas e desnecessárias. No centro do mais absoluto nada, encontramos um vórtice de luzes, onde todos os pontos pareciam chocar-se uns contra os outros, como estrelas em guerra. Ele me explicou que aquelas eram linhas temporais, e que as que se chocavam eram linhas destrutivas.

Após sentar-se em uma espécie de banco invisível ou algo do gênero, fez um gesto para que eu também me sentasse e, embora eu não visse nada, confiei na sua sugestão, efetivamente me sentando em alguma espécie de banco imaterial. Estávamos em uma espécie de praça invisível no meio do infinito, e a esse ponto nada mais era impossível na minha concepção.

Ele então me explicou o que é o Nuncamais.
Dimensões e linhas de tempo são finitas e renováveis. Um dia, elas acabam, e como resultado são mandadas para o "Fim dos Tempos", onde renovam-se, sempre aleatórias, nascendo portanto uma nova história a ser contada. O Nuncamais é - ou melhor, foi - uma dimensão cuja linha do tempo chocou-se com outras alternativas, destruindo a realidade em si e deformando tudo que a ela pertencia. Como resultado desse choque, o Nuncamais nunca poderá ser renovado, mas é mantido pelo "Guardião do Tempo", aquele que falava comigo naquele exato momento, como uma espécie de "resgate de dimensões quebradas". Dimensões como o Nuncamais são destruídas quando magia temporal é utilizada de forma inconsequente, gerando possíveis atritos e eventuais choques de linhas temporais. Como foi a primeira dimensão defeituosa, Nuncamais foi escolhida como o "depósito" dessas dimensões, e aquelas luzes espiralantes que eu vi eram nada menos que essas dimensões quebradas.

Agora, o que eu estava fazendo ali? Porque eu, e como tudo havia tomado esse rumo? Eu tinha a leve sensação de que logo saberia.

Levantando-se, o homem voltou a guiar-me pela vastidão até uma fenda escura, tão assustadora quanto sedutora. Ele disse que ali ele teria cometido o maior erro da vida dele, e embora eu não pudesse ver nada além do vazio estrelado, a fenda parecia realmente uma falha, um rasgo. Foi só aí que eu entendi: O Guardião do Tempo, o homem que falava comigo, teria sido o responsável pela destruição da sua própria dimensão, que teria se tornado o Nuncamais. Ele então foi direto ao ponto:
Você é aquele que deve seguir a linhagem, Zoul. Você é o próximo responsável pelo Nuncamais.
Mas você precisa encontrar algo que perdeu, antes.
Algo que eu havia perdido. Estaria ele falando do meu avô?
Claro, só podia ser. Afinal, o relógio era dele, e ele é o responsável indireto por tudo isso. Ainda surpreso, mal tive tempo de piscar os olhos: eu estava nas ruas desoladas de minha cidade novamente, com o relógio em mãos e o som de uma marcha à distância. Máquinas, tambores e gritos de guerra, anunciando a carnificina que aconteceria em breve. Eu precisava encontrar o meu avô.

Corri desesperado pelas ruas da cidade, ignorando as dores que já haviam atenuado bastante, quase como se nunca tivessem existido. Ele não podia ter ido muito longe e sem a sua identificação não teria conseguido entrar em nenhum dos fortes, portanto ainda estaria nas ruas.

A busca foi em vão. Todos os fortes estavam trancados e militarizados por fora. As tropas da minha nação já se encontravam nos limites da cidade, tentando impedir o avanço do exército inimigo. Eu senti um toque gélido percorrer a minha espinha, um calafrio sem igual, como se algo estivesse prestes a acontecer.
Foi aí que eu vi: um senhor, deitado no chão, cercado por batedores e escoteiros furtivos que haviam infiltrado a cidade. As cores não enganavam: eram do exército inimigo. Sem pensar duas vezes, gritei para chamar suas atenções, e me vi cercado por eles momentos depois.

Sem saber o que fazer, comecei a pensar numa forma de escapar dali, apenas para ser interrompido por gritos agudos de crianças e mulheres, desesperadas, evacuando o forte, que também havia sido infiltrado. A cidade estava caindo por dentro e por fora; o exército não iria conseguir conter o avanço das tropas inimigas.

Eu, talvez sim.

Rodei os ponteiros mais uma vez, determinado a fazer algo. Dessa vez, em vez de parar o tempo, eu me senti energizado com ele. Meus movimentos estavam rápidos demais, e os deles, lentos, previsíveis. Continuei a usar o relógio de forma abusiva, sempre tentando manter-me na vantagem, na intenção de impedir a queda da minha cidade, até que toda a energia temporal parecia ter passado dele pra mim. Eu comecei a ver imagens de um passado distante, de futuros próximos e do presente que eu encarava, alternantes, efêmeras, e percebi o que estava acontecendo. As pessoas, todas elas, pareciam estranhas. Os batedores pareciam ir e voltar no tempo, os gritos estavam distorcidos como sons espectrais, o senhor já não estava mais lá.

De repente, vislumbrei um rasgo brilhante na minha frente. Onde antes havia um batedor, agora nada existia além de uma crescente escuridão incandescente, e as realidades pareciam se chocar. Tudo que eu havia visto antes estava acontecendo em conjunto com o que eu viria a presenciar, e a ferida no tempo continuava a crescer. De repente, eu realmente entendi tudo, lágrimas vieram aos meus olhos instantaneamente. Caí de joelhos ao chão, já impotente demais para impedir a catástrofe que viria a acontecer, de novo, numa repetição eterna.

E os mundos choraram, e as estrelas brilharam no céu ensolarado. Árvores de espécies há muito extintas brotavam de onde nada havia além de concreto e metal, até que a enorme ferida no tempo tornou-se tangível, real e inquestionável.

E o mundo parou.
Nunca mais voltou a ser como era.


Desolado, sozinho e à beira da loucura, eu lembrei do Guardião do Tempo - ou melhor, do outro eu. Fui até a praça central da cidade, apenas para encontrar, em um dos bancos próximos à fonte decorativa, uma carta lacrada com um relógio de bolso em cima.
Vejo que você encontrou o seu destino, mas acredite, este não é o fim.
O seu papel como Guardião não é só guardar o Nuncamais, mas também fazer o possível para impedir novas catástrofes temporais como essa que você acaba de presenciar. Eu sabia que isso iria acontecer, mas era necessário. Eu passei por isso, você passou e, em breve, mais alguém passará, apenas para levar à frente o nosso repetitivo legado de esquecimento. Até chegar a hora do seu Nuncamais, você é responsável por fechar as fendas abertas no tempo. Lembre-se de usar o tempo ao seu favor, sempre, pois agora é sua hora, e já é muito além da décima terceira.
Seguindo ordens e sem olhar pra trás, a busca por redenção parecia ser a unica coisa que me confortava, me mantinha longe da loucura. Adentrando o vazio do tempo, fui em busca da primeira dimensão instável no intuito de curá-la de sua mácula e fechar a ferida no tempo enquanto é possível. E isso me trouxe à Runeterra.

Alguém deixou um enorme buraco aqui, em meio a um deserto. É meu dever encontrar o responsável, para fazê-lo fechar essa fenda definitivamente, antes que ela tome proporções incuráveis e destrua a essa dimensão assim como fez à minha.

É meu dever impedir o Nuncamais.


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TheDeadlyScythe

Senior Member

11-23-2014

Já pensou em fazer um livro?
Pq essa fanfic nem merece palmas, merece o Tocantins inteiro.


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ursiN ii

Junior Member

11-23-2014

Qual o nome? Zô ou Zoul?

É que tu mudou ali, acho que foi só uma confusão.

No início o Zô diz que as coisas que o avô dele dizia, não faziam sentido, mas logo depois, após mudar os ponteiros do relógio, ele age como se entendesse tudo em questão de segundos. Meio que broxei ali kk!: "A "décima terceira hora" é uma fase alternativa da realidade, uma estase temporal, evanescente, porém real."

Eu gostei da parte em que tu insere uma explicação por parte do senhor, mas acho que tu deveria ter feito isto em diversas partes anteriores. O Zô passa de um estado "não conheço nada" para um estado "to entendendo tudo", muito rápido. Isso deixou meio chato.

Eu concordo completamente com o comentário do TheDeadlyScythe, o problema é que a tua história é muito boa, mas pouco desenvolvida. Se tu deixar os acontecimentos mais "cheios", vai ser muito melhor. Tudo acontece muito rápido e sem espaço pra gente entender.


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Felstardo

Senior Member

11-24-2014

Citação:
nvN ursiN i:
Qual o nome? Zô ou Zoul?

É que tu mudou ali, acho que foi só uma confusão.

No início o Zô diz que as coisas que o avô dele dizia, não faziam sentido, mas logo depois, após mudar os ponteiros do relógio, ele age como se entendesse tudo em questão de segundos. Meio que broxei ali kk!: "A "décima terceira hora" é uma fase alternativa da realidade, uma estase temporal, evanescente, porém real."

Eu gostei da parte em que tu insere uma explicação por parte do senhor, mas acho que tu deveria ter feito isto em diversas partes anteriores. O Zô passa de um estado "não conheço nada" para um estado "to entendendo tudo", muito rápido. Isso deixou meio chato.

Eu concordo completamente com o comentário do TheDeadlyScythe, o problema é que a tua história é muito boa, mas pouco desenvolvida. Se tu deixar os acontecimentos mais "cheios", vai ser muito melhor. Tudo acontece muito rápido e sem espaço pra gente entender.



Agradeço os elogios, gente. É bom saber que alguém tirou um tempo pra ler tudo aquilo, eu mesmo confesso ter ficado assustado com as proporções que o texto tomou no final.

Explicando o poder de ciência do Zoul (Zô é uma forma "carinhosa" de chamá-lo, coisa do seu avô): ele conta a história como introspecção. Ele não fala como quem está passando, ele fala como quem já passou, por isso o tempo do texto no passado (exceto no fim, onde ele finalmente se refere à situação no presente).

Ao falar da décima terceira hora, ele já havia recebido explicação do Guardião. Enquanto o Zoul daquele momento - a memória de quem conta - não entendia, exatamente, o que estava acontecendo, o Zoul que está contando já havia passado por tudo aquilo, e fez um comentário introspectivo sobre o presenciado.

É como se você estivesse explicando algo do seu passado que, naquele tempo, você não entendia, mas agora entende.

No mais, vou fazer algumas modificações na tentativa de manter a coerência sã. Pretendo, depois de receber esse feedback tão agradável, acrescentar novas partes da história, como capítulos, na tentativa de esclarecer melhor como tudo acontece.


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