Bem-vindos ao arquivo do Fórum!

Nosso fórum pode ter mudado, mas isto não significa que vamos esquecer de tudo o que veio antes. Neste arquivo, vocês encontram a história da comunidade do League desde a chegada do servidor ao Brasil. Tem de tudo um pouco: discussões, piadas, desenhos, tentativas de identificar as camadas do fórum e muito mais.

Então, navegue pelas lembranças e, depois, participe das discussões que estão rolando neste momento no novo Fórum do League of Legends e divirta-se com os outros membros da nossa Comunidade. Nos vemos lá!

Um abraço,
Ysanne

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Etwahl

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Felstardo

Senior Member

11-26-2014

A cada badalada, um calafrio.

Estava sentada próxima a uma arandela de metal, baixa na parede. Gostava da iluminação que, embora fraca, me dava uma sensação de segurança, especialmente em um lugar tão horrendo e escuro, de clima tão pesado. Os fortes não foram feitos para abrigar ou dar conforto à civis - eram, duramente, apenas fortes. Embora a promessa de proteção fosse agradável, eu ainda temia pelo o que poderia acontecer.

Minha filha dormia em meus braços, tão serena e pura. Seus sonhos deviam ser tão maravilhosos que, de vez em quando, ela sorria, inocente à um conflito que poderia decidir nossas vidas para sempre. Olhar para ela me dava uma sensação de coragem, força e vontade de viver, eu queria protegê-la acima de tudo.

Todos dormiam no gélido chão de metal. Lá fora nevava. Enquanto olhava pela discreta fresta na parede, via as luzes dos holofotes projetadas no céu, como dedos de luz a acariciar a neve cadente e as nuvens cinzentas. Um dia tão eufêmico não podia ser arauto de notícias boas, e isso só tornava o clima cada vez mais tenso. Assim como minha filha, vários estranhos ao meu redor dormiam, seja sobre o gélido chão, seja apoiado em um canto de parede. Se eu sobrevivesse, criaria uma melodia sobre aquilo, com certeza, e em homenagem não apenas aos sentinelas, mas à todos nós. Falando nos sentinelas, volto minha atenção a eles. Homens que parecem esconder seus medos por trás de fardamentos duros e ríspidos. Quais seriam seus pensamentos? Suas verdadeiras intenções?
De repente, percebo uma movimentação estranha entre eles e, enquanto alguns saem do salão de refugiados, outros percorrem o portão que leva à entrada, tateando-o. Tento ignorar, mas a paranoia não permite. Foco minha atenção nos sentinelas que restaram, discretamente vigiando suas ações, e é aí que eu percebo.

Pequenas luzes piscantes por todo o caminho percorrido e tateado por eles, vermelhas, ameaçadoras. Eu tentava querer acreditar que não era nada, que eu estava preocupada por motivo nenhum, mas algo instintivo dizia que algo errado estava acontecendo. Eu precisava perguntar.

Deixei minha filha deitada no acolchoado do largo estojo de meu instrumento, uma herança de família. Peguei-o, toquei uma nota suave e fui em direção aos sentinelas.

Ao perceber minha aproximação, eles voltaram suas atenções para mim. Perguntam se preciso de algo, finjo não ter percebido nada atrás deles e peço instruções para chegar até o toalete. Após recebê-las, vou com meu instrumento pelos corredores em penumbra, atenta a quaisquer sons duvidosos. Escuto uma conversação por trás de uma parede metálica e aparentemente oca e toco uma nota amplificadora.

" - Tudo pronto para a detonação? Muito bem. Iniciem a operação ao soar da décima segunda badalada, sem atraso. Contatem-me caso algo ponha em risco a operação."
Assustada com o que escutei, apressei-me a voltar para o salão. Encontrei minha filha, ainda dormindo dentro do estojo, calma, tão suave em seu sonho. Peguei-a nos braços, guardei o instrumento em seu estojo e pendurei-o a tiracolo, tudo cuidadosamente e procurando chamar o minimo de atenção. Permaneci sentada, abraçada à minha filha, preparada para o que quer que fosse essa tal "operação".

Em minha mente, eu maquinava um plano. Algo me dizia que as coisas não eram o que pareciam no momento, que minha vida - e pior, a vida de minha filha - corria risco. Eu não pude evitar os pensamentos sombrios de traição e dor, e isso me deixou mais do que nervosa. Eu tremia como quem sente frio, embora não sentisse, eu estava gélida e podia sentir.

Logo, os sinos começaram a tocar. Uma. Três. Sete badaladas.
Doze.

Tudo aconteceu muito rápido. Os sentinelas saíram da sala, os portões explodiram, homens encapuzados entraram no prédio. Logo, ouvi gritos, que não sei dizer se eram meus ou de outra pessoa. Eu não tinha voz, eu não tinha ação. Ao olhar pros meus braços, vi minha filha, acordada e assustada, e só então percebi: eu precisava salvá-la. Peguei-a nos braços e corri com meu estojo nas costas, em meio ao tumulto que rapidamente havia se formado nos salões. Alguns sentinelas estavam estirados no chão; outros, riam, enquanto dançavam com lâminas pela multidão. Foi um massacre, e por um momento eu jurei estar prestes a morrer e falhar. Não me importava comigo, e sim com ela, meu bem mais precioso, minha filha.

Corri, gritando por ajuda. Ao conseguir sair do forte, me deparei apenas com ruas cheias de batedores e assassinos da facção inimiga. Usei o peso de meu estojo das costas como arma, rodopiando quando necessário para evitar a atenção deles. Graças à multidão de inocentes desesperados nas ruas - os poucos que sobreviveram a subterfuja carnificina - eu pude me esquivar da atenção, quase que milagrosamente, dos homens que friamente matavam a seus iguais.

Atravessei a praça principal apenas para encontrar um velho senhor estirado ao chão à minha direita, morto, com muito sangue ao seu redor, e assassinos para todos os lados. Eu não podia cair ali, não agora.
Como mágica, um vulto passou por todos nós, rápido como a luz, derrubando-os ao chão instantaneamente. Continuei a correr, sem pensar no que acabei de ver, mas agradecida pelo o que quer que tenha nos ajudado. Nossas vidas estarão em débito para sempre.

De repente, vislumbro um pequeno barco no cais. Entro com minha filha no barco, e penso estar salva. Como estava enganada.

Ali estavam eles, prontos para usar ganchos para prender o barco ao pier. Eles não iriam deixar que fugíssemos, nós não sobreviveríamos.

Não. Ela sobreviverá.

Abri meu estojo e, apenas com um beijo, despedi-me de minha filha para sempre. Com pesar no coração, toquei uma nota de silêncio para abafar seu choro, e com lágrimas nos olhos a depositei sobre o instrumento. O Etwahl a protegeria pelo tempo que fosse necessário, não se separaria dela, disso tenho certeza. Uma parte de mim estaria com ela para sempre, o meu amor, a minha proteção, a minha alma. Sem esperar que se lembrasse de mim ou que me perdoasse pelo o que eu estava prestes a fazer, fechei um pouco do estojo para escondê-la lá dentro e, após pular do barco, chutei-o para longe, na intenção de afastá-lo. Eles riem, e se aproximam. Me ameaçam com facas, dizem que sou tola de achar que poderia fugir, que minha raça nem sequer merecia existir. Tanto ódio, tanto rancor... Sentimentos negativos que destroem a todos nós, ah, mal sabem eles...

Vindo do mar, escuto uma suave melodia. Então sorrio, aliviada: ela está a salvo.

Não muito depois, sinto o aço atravessando minha carne. Caio, com as mãos no abdômen e lágrimas nos olhos. Mas não eram lágrimas de dor.

Eram lágrimas de esperança.

Os holofotes, no céu, não brilhavam mais. Um enorme e devorador rasgo escuro havia tomado seu lugar, e o lugar das nuvens, e da neve.

Seria isso a morte?



Talvez...
Mas eu estou tão cansada pra pensar.


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Felstardo

Senior Member

11-26-2014

Prometi que faria alguns capítulos novos, não?

Aí está então. Etwahl, contando a minha versão da história de uma campeã que já existe. Tudo aqui descrito acontece mais ou menos ao mesmo tempo que o desfecho de Nuncamais, uma outra FanFic que eu fiz.

Nuncamais (http://forums.br.leagueoflegends.com/board/showthread.php?t=331470) - Zoul
Etwahl - Misna
Amor Fati (http://forums.br.leagueoflegends.com/board/showthread.php?p=2278117) - O Oráculo

Espero que gostem e, se algo ficou muito estranho, é só comentar.


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ursiN ii

Junior Member

11-30-2014

Na parte do [...] me fazia sentir segura [...], eu acho que ficaria melhor "se sentir segura". Ler deste jeito é mais fácil, pelo menos pra mim.

[...] abrigar ou dar conforto à civis; eram, duramente, apenas fortes [...]".

Ao invés de usar o ";" eu usaria o "-". Não é questão de estar correto ou não, até porque não sei dizer isto Mas é esteticamente mais bonito, e nos livros que eu li ou estou lendo, ele apareceu ou aparece em 100% das vezes.

[...] Todos dormiam no gélido chão de metal, lá fora nevava.[...].

Separe por ".", vai ficar melhor. Acho que é por que um não é consequência do outro, daí acaba ficando mais fácil de ler.

[...] Eu tentava querer acreditar [...]

Não é redundância, mas é tão estranho quanto "Eu tentava"/"Eu queria", acho melhor tu se decidir, moço u.u

[...] Deixei minha filha deitada no acolchoado do largo estojo de meu instrumento, uma herança de família. Peguei-o, toquei uma nota suave e fui em direção aos sentinelas.[...]

Esta parte ficou extremamente engraçada! Tipo, ela ta eufórica, com medo e apreensiva, em um momento de tensão, creio eu. Daí ela para e toca uma nota no instrumento kkkkkkkkkkkk! Meio que quebrou o clima.


Agora tirando as críticas...

Eu definitivamente não sei o porquê, mas depois que eu li alguns livros, comecei a "prever" se iria ou não gostar de algum, somente lendo o primeiro parágrafo ou a primeira página. E com a tua FanFic, não foi diferente. Eu já sabia que iria gostar desde o início, e não foi, de modo nenhum, uma previsão errada u.u

Eu adoro o jeito que tu escreve, é muito show, pqp!

Tem umas coisinhas que eu mudaria, claro, mas como tu pôde ver ali em cima, a maioria é estética.

Voltando aquele comentário que eu fiz na outra Fanfic "Nuncamais", acho que tu poderia ter gasto mais tempo nela, detalhando algumas coisas: facção inimiga; o instrumento; o forte; o que eles faziam lá?. Coisas do tipo, entende? Coisas que tu sabe que podem ser detalhadas sem que o texto fique "massante".

E pra terminar, parabéns! Apesar das coisas que eu disse anteriormente, não duvide que eu gostei. Gostei mesmo e espero pelas próximas.

o/


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TheDeadlyScythe

Senior Member

12-01-2014

Que posso dizer se não que ficou maravilhosa, como sempre? Ah, sim...
Para de escrever fanfic e vai logo escrever um livro cara. Tu escreve bem demais pra se prender a fanfics.


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El Cid de Vivar

Senior Member

12-01-2014

:-D


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Felstardo

Senior Member

12-02-2014

Citação:
nvN ursiN i:
[...]


"me fazia se sentir segura"... Sei não. Sinto que fica meio errado. O "se" tiraria o verbo da voz ativa, enrolando um pouco a coerência. Mas eu poderia trocar por algo como "fazia sentir-me segura", mais por questão estética.

O ponto e vírgula é essencial pra evitar o abuso de aposto/vocativo. Usei-o para identificar uma pausa mais longa, algo entre o ponto e a vírgula. Muito embora o travessão esteja levemente mais correto (sim, está), eu optei pelo ponto e vírgula para evitar o excesso - afinal, eu uso muito disso - e dar um pouco de variedade na pontuação.

A vírgula em ", lá fora nevava" não indica uma subsequencia de ideias, e sim uma mudança de oração. Usar um ponto não seria muito sábio, embora encaixe perfeitamente também. Faz tudo parte de uma descrição em cadeia do cenário, então achei melhor deixar junto na mesma frase.

"tentar querer" não é redundante nem errado. Você querer algo é uma coisa, tentar querer é não querer, mas tentar. É como se te convidassem pra um evento qualquer e você não quisesse, necessariamente, ir, mas tentasse a todo custo mudar de ideia. Você não quer, mas quer querer (fica melhor que "Eu queria querer acreditar", admita).

Se você não entendeu a nota do Etwahl, é porque não entendeu a lógica do instrumento. O Etwahl é um instrumento que transforma som em magia. Toda e cada nota possui um significado, um poder especifico. Uma sequencia de notas pode gerar efeitos diferentes, todos baseados em cada nota tocada anteriormente.

Uma nota suave serve exatamente pra isso: suavizar. Digamos que acalma.
E evita que a criança acorde.

Além do mais, é o instrumento dela. Ela vai querer tocar uma nota pra ver se tá bem afinado.

Eu não entrei em detalhes - pelo menos, não ainda - sobre o outro mundo porque, até então, ele é de pouca importância. Tento fazer uma fanfic que, ao mesmo tempo que foque em Runeterra e possa "encaixar" de certa forma na lore, adicione elementos novos que ajudem a temperar a história, especialmente aquelas que não foram contadas em detalhe.

Mas eu vou ver se consigo encaixar o outro lado da história em algum capítulo futuro. Gostei muito de todos os feedbacks que recebi - vocês não foram os únicos :P - e pretendo levar mais adiante. Só não sei se vou continuar postando as histórias nos fóruns, mas pretendo continuar escrevendo.
Pretendo começar a postar no Deviant em breve, mas trago os links aqui quando o fizer. Agradeço a todos pelo empurrão, e agradeço ainda mais pelas correções (já fiz algumas, como podem ver).


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