Bem-vindos ao arquivo do Fórum!

Nosso fórum pode ter mudado, mas isto não significa que vamos esquecer de tudo o que veio antes. Neste arquivo, vocês encontram a história da comunidade do League desde a chegada do servidor ao Brasil. Tem de tudo um pouco: discussões, piadas, desenhos, tentativas de identificar as camadas do fórum e muito mais.

Então, navegue pelas lembranças e, depois, participe das discussões que estão rolando neste momento no novo Fórum do League of Legends e divirta-se com os outros membros da nossa Comunidade. Nos vemos lá!

Um abraço,
Ysanne

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Amor Fati

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Felstardo

Senior Member

12-15-2014

Suas escolhas determinam que direção tomou nas encruzilhadas do destino.

Guiado por vaga-lumes, eu caminhava pela floresta. Um ambiente tão quieto e pacífico, com sons tão suavizantes. Ali, naquele pequeno santuário natural, eu esquecia dos problemas do cotidiano, das obrigações, dos horrores que eu via e revia todas as noites. A lua iluminava uma clareira logo à frente, com sua luz refletida no lago mais puro que eu já havia visto. Ali, nenhum homem poderia me achar, era um lugar meu e da natureza.

Sentei em uma rocha musgosa na beira do lago, observando a luz da lua e das estrelas na água. Presságios, visões, nada disso iria me perturbar ali. O atual líder de meu povo é um tirano que utiliza de meus poderes como arma; seu ódio é como uma doença contagiosa que afeta cada vez mais minha gente. Essa guerra não tem propósito algum além dos desejos fúteis e egoístas de um homem fraco e, muito embora eu saiba disso, nada posso fazer para pará-la. Não sei até quando isso vai durar, mas sei que todo o sofrimento pelo qual passamos é desnecessário. É um preço cobrado de forma forçada, imposto.

Mas isso não me importa agora. O que importa é que estou aqui, em paz comigo e com o universo, posso sentir sua energia fluindo pelo meu corpo, mente e alma. Sei que estou seguro e que os espíritos, sempre ao meu redor, me protegerão de todos os perigos, pelo menos até minha missão ser completa. Até que o momento chegue, espero pacientemente e obediente às vontades do tirano que me governa, queira eu ou não.

Fechei os olhos e comecei a ver o mundo de outra forma.

Lentamente, tudo ao meu redor mudou. Embora a lua ainda estivesse o no céu, já era dia, a floresta havia se tornado uma enorme, infinita planície, e eu podia ver a energia vívida correr pela terra e pelos céus. Eu havia me desconectado do mundo que me condena e subjuga, constantemente, a fazer coisas que eu me recuso. Eu estava em casa.

Muitos de nós - do meu povo - havia perdido este dom tão precioso de projetar sua mente em mundos distantes, tempos diferentes. Eles haviam perdido a capacidade de controlar seu anima, e com isso, haviam se tornado apenas mais soldados de metal, escravizados pelo seu próprio ódio e rancor. Eu era um dos poucos, raros, que ainda mantinham essa afinidade com o etéreo, com o astral. Eu era um dos últimos oráculos.

De repente, fui acordado por um barulho perturbador. Um som pesado de metal arrastando em metal, como um canhão prestes a atirar. Entendi aquilo como um sinal e me afastei do meu lugar secreto, mantendo-o a salvo do cruel mundo lá fora. Despedi-me dos espíritos e dos seres vivos que ali habitavam e segui meu caminho.

De repente, me vi novamente em frente aos terríveis portões de Lienhardt, comumente conhecida como "Bastião". Era ali que eu atualmente vivia e passava meus dias, preso pelo destino e incapaz de mudá-lo. Caminhei até minha casa observando a paisagem, morta e cinzenta, ao meu redor. As placas de metal do Bastião eram imbuídas do sofrimento daqueles que as forjaram, e isso eu podia sentir. Sem o menor gosto pelo o que eu teria de fazer amanhã, resolvo uns últimos problemas sobre a minha mesa e vou dormir.

Durante o sonho, tive uma visão. Não era a primeira, mas era tão real... Era quase como se estivesse mesmo acontecendo. Até mesmo os meus anos de treinamento para controlar os meus poderes me foram inúteis, eu não parecia conseguir acordar. Como não podia evitar, apenas segui em frente, encarando o que quer que viesse em seguida.

Como em um passe de mágica, eu me vi no topo do planalto da cidadela, o centro de Bastião. Eu mesmo continuava me questionando se estava dormindo ou não, afinal, ali era onde eu deveria estar amanhã - ou estou agora, não sei. Jhein, nosso tão amado líder, estava parado no centro da zigurate que jazia, alta e tenebrosa, no centro do planalto; uma visão que toda bastião tinha de ver ao acordar para se lembrar do poder supremo do nosso governo. Sem muita escolha, presencio, quieto e calado, o discurso de Jhein.

Povo de Lienhardt.
É com grande prazer que vos digo: a vitória é nossa. A guerra acabou.
Muito embora as nações inimigas ainda estejam de pé, isso não durará muito. Nós, de Lienhardt, desenvolvemos uma super arma capaz de desintegrar qualquer espécie de ameaça a países de distância, e com ela nós nos asseguraremos de vencer esse conflito. O poder de governar o mundo será finalmente dado a seus donos por direito: nós. Devemos guiar este mundo com a nossa pureza, livrando-nos de todos que se opuserem a nós!

Glória a Lienhardt!
Fanático. Como pode alguém achar que o poder de governar o mundo é seu por direito? Não suportava mais ver e ouvir aquilo. Embora eu quisesse sair daquele transe, o sonho não deixava. Era uma visão extremamente poderosa, quase forçada, e eu ficava cada vez mais assustado com aquilo.

De repente, um barulho tomou conta do topo da zigurate. Com uma ordem de Jhein, um enorme disco escuro - feito de aço e ônix pura - foi erguido com magia. A visão era horripilante e fascinante ao mesmo tempo. O disco havia escurecido tudo, nos deixando na sombra projetada por ele. Majestoso e assustador, ele flutuava logo acima do topo da zigurate, exatamente como...
Testemunhem!

Esta é a criação do futuro! É a chave, meu povo, de um novo amanhã.
De um amanhã governado por nós!

Contemplem, o Disco de Eclipse!
De repente, vejo uma mulher na minha frente, e todo o resto some. Ela se aproxima de mim, eu estando impossibilitado de me mover por algum motivo. Eu não conseguia falar, gritar, acordar... Era sufocante.
A floresta.
Salve-se na floresta. Use sua visão.
Sua visão verdadeira.

Não deixe o raio negro o consumir.
E acordei, suando frio.

Tudo aquilo parecia tão real... A floresta? Será que ela estava falando do meu santuário?
Quem era aquela mulher, afinal?

Não sei o que ela queria dizer, mas parecia que eu era solicitado na floresta. Levantei-me imediatamente, vislumbrando a gótica aurora de Bastião. Em passo apressado, fui em direção aos portões, apenas para encontrá-los trancados. Não me deixariam passar.

A menos que eu não precisasse passar.

Voltei para casa e voltei a dormir, mas desta vez focando em um outro objetivo. Ao fechar os olhos, visualizei-me no bosque. Logo, ele começou a se materializar ao meu redor; eu estava lá. Encontrei pessoas - fantasmas de um passado distante ou de um futuro desconhecido - caminhando pelas árvores, como se fosse algo comum. Senti suas presenças, muito embora não estivessem lá. Uma delas olhou para mim e fez um sinal para segui-la, não hesitei. Ela me levou pela floresta até um enorme monólito escuro, cheio de marcações, escritas antigas. Sem dizer uma palavra, sumiu com um piscar de olhos.

Acordei com uma movimentação curiosa nas ruas da cidade. Jhein estaria prestes a fazer um grande anúncio. Com os portões ainda trancados, não tive escolha a não ser seguir a multidão. Minha visão.

Ao chegar na zigurate, como membro importante do conselho (querendo eu ou não, sou o único oráculo serviente à Jhein), me separei da multidão e subi as escadarias até o topo. Ia acontecer tudo que eu havia sonhado com, mas desta vez, eu iria ver o que vem depois.
No crepúsuclo, Jhein apareceu, posicionando-se ao meu lado. Vestido com seu traje negro e cheio de metal, mais parecia um androide do que o homem que ele costumava ser. No passado, Jhein já havia sido um bom líder, guiado pelo seu coração a fazer o que era certo para o seu povo. Hoje ele não era nada além de uma máquina provocadora de guerras e conflitos desnecessários, um destruidor, um assassino.

Após seu longo discurso, o Disco emergiu das sombras, quase como se as trouxesse com ele. Posicionou-se exatamente em frente da lua, formando um verdadeiro eclipse, e começou a pulsar com poder, visível.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo brado de Jhein, tão assustador quanto potente.
Testemunhem!

Esta é a criação do futuro! É a chave, meu povo, de um novo amanhã.
De um amanhã governado por nós!

Contemplem, o Disco de -
De repente, uma explosão. Algo que não havia acontecido na visão. Enquanto toda a multidão - inclusive Jhein - procuravam a fonte da explosão nos arredores e nos portões da cidade, a minha atenção voltou para outro lugar, um pouco mais acima de nós.

O Disco.

O Disco começou a pulsar mais e mais, absorvendo uma energia sombria que era visível ao seu redor, como uma aura. Seu centro começou a brilhar com uma luz negra e, de repente, atirou um enorme raio ensurdecedor a uma distância inacreditável. Um raio negro.

Logo, Jhein estava cercado de magos que o serviam. Eles pareciam preocupados, mas Jhein era inflexível. Sussurravam algo sobre uma falha e perda de controle, tentando por um pouco de juízo em Jhein, pedindo-o para cancelar a demonstração. Jhein recusou, e para provar que era seguro, posicionou-se no centro da zigurate, ordenando logo em seguida que mirassem o raio nele - afinal, o poder sombrio do disco não afetava a nós, só às outras raças. Isso era o que ele pensava, pelo menos.

Afastei-me o mais rápido possível, descendo as escadas. Eu não queria ver o que poderia acontecer caso o experimento falhasse, nem queria morrer junto a Jhein caso isso acontecesse. Mais uma vez, o disco começou a pulsar, dessa vez mais forte. Afastei-me mais ainda, entrando na multidão e sem olhar pra trás. Algo me dizia que aquilo não acabaria bem.

De repente, o barulho ensurdecedor do raio, unido à gritos de agonia, pôde ser ouvido. Tentei não escutar o que diziam ao meu redor, eu não queria ver ou saber o que havia acontecido.

Um terceiro raio foi atirado. E um quarto. E um quinto.

As pessoas estavam em pânico, correndo para suas casas, levando suas crianças nos braços. Eu via terror nos olhos de todos que passavam por mim. Quase como um impulso, comecei a caminhar apressadamente, quase correndo. Eu não queria admitir, mas também estava com medo.

Mais e mais raios foram atirados, o disco estava descontrolado e possuía vontade própria. Ao chegar nos portões da cidade, encontrei um enorme buraco de diâmetro absurdo, provavelmente havia sido o raio. Tudo ao redor parecia frio, frio até demais. Frio como a morte.
Corri em direção à floresta, escutando raios e mais raios serem atirados. Chegando no meu santuário, percorri o mesmo caminho que havia feito no sonho. Ao chegar no destino, encontrei o mesmo obelisco... Mas diferente.

Em vez de inscrições, o monólito era espelhado. Através dele eu via a fumaça e a poeira da destruição da "super arma". Era surpreendente como eu nada sentia. Não estava com remorso pelas perdas, nem triste por ter de abandonar tudo que eu conheço. Para trás, deixei uma sociedade fria e cruel, guiada por instintos e sentimentos sombrios. Eu não pertencia àquele lugar.

De repente, o obelisco começou a ficar mais claro. Olhando para ele, ele refletia um lugar diferente da floresta, aparentemente iluminado, mas sem árvores. Uma vastidão infinda, como nos meus sonhos, só que real. Despedi-me de meu mundo, um último adeus, enquanto vislumbrava pela última vez o ultimo tiro de um raio destruidor. O destino me aguardava e novas visões estariam por vir.

A ultima coisa que me lembro de meu mundo foi de uma enorme explosão. O disco, em toda sua supremacia, explodiu, deixando um enorme buraco negro em seu lugar, expansivo. Não tinha mais tempo, eu precisava ir.

Entrei no espelho atrás de mim, me deparando com um novo mundo. Sob meus pés, havia um pó estranho, dourado mas leve, como pó de terra. O sol parecia quente, mas eu não sentia o calor insuportável das ressoantes placas de metal de Bastião. Era tudo diferente, tudo bonito e iluminado.

Olhei para trás, apenas para encontrar um enorme disco no céu. Na mesma posição que o Disco de Eclipse estava um completamente diferente, dourado, luminoso. Ele refletia a luz do sol, dando-o a aparência de um segundo. No lugar de grandes muralhas de aço, haviam algumas construções pequenas cercando um templo no centro.

Era pra lá que eu ia agora.


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Felstardo

Senior Member

12-15-2014

É isso galera. Eu achei a narrativa dessa história um pouco complexa e enrolada, então não tá realmente completa. Pretendo voltar e fazer uns ajustes depois.

Este é o terceiro "capítulo" da história que eu andei escrevendo sobre um mundo paralelo à Runeterra, e os poucos habitantes que dele fugiram.

Nuncamais (http://forums.br.leagueoflegends.com/board/showthread.php?t=331470) - Zoul
Etwahl (http://forums.br.leagueoflegends.com/board/showthread.php?t=333587) - Misna
Amor Fati - O Oráculo

Espero que gostem, e aproveitem para comentar sobre o que acharam e onde posso melhorar. Agradeço a todos pelo feedback.


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